A realização do Acampamento Farroupilha ao lado do Complexo Ambiental Cyro Gevaerd, o zoológico de Balneário Camboriú, gerou preocupação sobre os possíveis impactos do barulho e da movimentação de pessoas nos animais mantidos no local.
O evento começou na última quinta-feira, 18, e segue até domingo, 27, com shows e programação que encerram 1h da madrugada, conforme a organização.
A Comissão Civil Independente dos Direitos dos Animais questiona se foram realizados estudos técnicos antes da autorização do evento para avaliar os efeitos do ruído sobre a fauna do complexo.
“Estamos falando de fauna silvestre, inclusive animais em recuperação, que poderá ficar exposta durante vários dias consecutivos à música amplificada, movimentação intensa de pessoas e atividades que avançam pela madrugada”, afirmou a entidade em nota.
Segundo a comissão, moradores também teriam relatado barulho intenso durante a madrugada no entorno do Zoo. “A preocupação não termina quando a música do palco é desligada: a dispersão do público, veículos, gritos e demais ruídos no entorno também podem prolongar o impacto durante a madrugada”, detalhou.
Um ouvinte da Rádio Menina, que esteve no local na segunda-feira, 21, acompanhado da esposa e do filho de seis anos, que é autista, relatou ter percebido os animais mais agitados durante a visita.
“Como é possível liberar uma festa Farroupilha, com som bem alto, ao lado do zoológico? Que órgão seria competente em relação a isso?”, questionou Jackson.
A Comissão também questiona a mudança de endereço do Acampamento Farroupilha, que até o ano passado era realizado no espaço de eventos em frente à Praça das Bandeiras, na Avenida do Estado.
“A preocupação aumenta diante da própria divulgação da mudança de endereço do evento, que apontou como uma das vantagens do novo local o menor impacto de ruído para os moradores do entorno”, explicou a nota da Comissão Civil Independente dos Direitos dos Animais.
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Para a entidade, é necessário esclarecer se os efeitos do som sobre os animais também foram considerados. A entidade pede que sejam divulgados eventuais estudos ou laudos de impacto acústico, além das licenças, autorizações e limites de emissão sonora estabelecidos para o evento.
A Comissão defende ainda uma avaliação dos médicos-veterinários e biólogos responsáveis pelos animais. “Não estamos pedindo o fim de uma tradição. Estamos pedindo responsabilidade”, informou a nota.
Zoo BC diz não ter relação com o material divulgado
Também por meio de nota, o Zoo BC afirmou que não possui vínculo com o material divulgado pela Comissão e que não participou nem autorizou a publicação.
O Complexo Ambiental informou ainda que eventos na região do Expocentro acontecem há anos e que, durante esse período, os animais são acompanhados pela equipe técnica, com atenção ao comportamento e a possíveis alterações que indiquem necessidade de intervenção.
Segundo o Zoo, esse acompanhamento também está sendo realizado durante o Acampamento Farroupilha. Caso seja identificada alguma situação que exija intervenção, o complexo afirma que serão adotadas as medidas técnicas necessárias.
A Comissão, por outro lado, defende que as medidas sejam tomadas de forma preventiva e afirma que órgãos ambientais e o Ministério Público de Santa Catarina também deveriam acompanhar a situação.
Até o momento, não há informação de que os animais tenham sofrido danos em decorrência da realização do evento.

