Camboriú inicia revisão do Plano Diretor com audiência pública e oficinas nos bairros

Em 08/09/2026
por Daiane Valentin

Camboriú realiza nesta quarta-feira, 9, a primeira audiência pública para discutir a revisão do Plano Diretor. A legislação, que orienta o desenvolvimento urbano do município, está em vigor desde 2013 e recebeu alterações em 2017. A expectativa da Secretaria de Planejamento Urbano é concluir o processo até julho de 2027.

Em entrevista ao Jornal da Menina nesta terça-feira, 8, a secretária de Planejamento Urbano, Marcela Eleutério, afirmou que o crescimento registrado no município nos últimos anos exige uma atualização das regras de ocupação e expansão urbana.

“A nossa população cresceu muito, a área urbana expandiu demais e a nossa construção civil só aumenta. Nós precisamos atualizar esse planejamento para que a infraestrutura, mobilidade, habitação, e toda a parte ambiental também acompanhem esse crescimento. Nós precisamos que Camboriú continue crescendo, mas com planejamento”, afirmou.

A audiência começa às 19h, na Câmara de Vereadores, na Rua Siqueira Campos, 480, no Centro. Durante o encontro, o comitê técnico da Secretaria de Planejamento Urbano irá apresentar à população a metodologia que será utilizada nas oficinas participativas previstas para setembro e outubro.

Estudo vai mapear áreas de risco e expansão

De acordo com Marcela, o estudo técnico socioambiental está sendo elaborado pelo município desde o ano passado e apresenta uma análise de toda a área urbana de Camboriú. “Ele mapeia tudo o que existe de área de risco, área de alagamento, áreas inundáveis, onde a cidade ainda pode crescer”, explicou.

Mobilidade entra na discussão

Camboriú foi o município catarinense com mais de 100 mil habitantes que apresentou o maior crescimento populacional entre 2025 e 2026. A cidade chegou a 121 mil moradores, uma alta de 3,17% em relação ao ano anterior. Os dados são de uma estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de agosto.

O crescimento populacional também amplia a demanda por soluções para a mobilidade urbana. Segundo a secretária, projetos para novas vias e alterações no sistema viário serão apresentados durante a revisão do Plano Diretor.

“Claro que o trânsito não vai ser 100% solucionado na revisão do Plano Diretor, mas nós já temos projetadas todas as vias que nós pretendemos abrir e alterar o trânsito. Isso vai ser apresentado também durante a revisão. É no plano que a gente vai optar por onde a cidade vai adensar, onde precisa ampliar a capacidade das vias”, ressaltou Marcela.

A secretária também destacou a importância da participação dos moradores, que vivenciam os problemas de cada região diariamente. “Esse é o momento da gente discutir juntos a cidade que a gente quer daqui a 20 anos”, afirmou.

Segundo Marcela, regiões como o distrito do Monte Alegre e os bairros Vila Verde e Várzea do Ranchinho têm potencial de desenvolvimento. A expansão, porém, deve considerar a preservação ambiental e das características rurais do município.

Moradores poderão participar das oficinas

O processo de revisão prevê oficinas participativas nos bairros para ouvir as demandas da população. O cronograma está sendo divulgado nas redes sociais da Prefeitura de Camboriú.

1ª oficina – Santa Regina, Areias, Braço e Macacos
  • 16 de setembro, às 19h
  • E.B.M. Clotilde Ramos Chaves – Avenida José Francisco Bernardes, 1.426, Areias
2ª oficina – Monte Alegre, Tabuleiro, Conde Vila Verde e Várzea do Ranchinho
  • 23 de setembro, às 19h
  • E.B.M. Anita Bernardes Gananchini  – Rua Monte Castelito, 39, Monte Alegre
3ª oficina – Cedro, Rio Pequeno e Lídia Duarte
  • 7 de outubro, às 19h
  • E.B.M. João Vergílio Pereira – Rua Daniel Silvério, 850, Cedros
4ª oficina – São Francisco de Assis, Centro e Rio do Meio
  • 14 de outubro, às 19h
  • OAB Camboriú – Rua Dr. Acácio Bernardes, 7, Centro

Próximas etapas

Após as oficinas participativas, o município pretende realizar a segunda audiência pública em dezembro. A Prefeitura prevê lançar uma consulta pública no início de 2027 e concluir a revisão do Plano Diretor em julho.

“É um prazo bastante curto para um processo tão longo, mas a nossa equipe da Secretaria de Planejamento está bastante preparada para que isso aconteça. A gente faz questão que a população participe de forma bastante intensa”, relatou Marcela.

SC-102 depende de recursos para sair do papel

Durante a entrevista, a secretária de Planejamento também falou sobre a duplicação da Rodovia Antônio Lopes Gonçalves Bastos, conhecida como SC-102, no bairro Rio Pequeno.

O projeto executivo foi entregue à Prefeitura na semana passada pela Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri). Agora, o município busca recursos para viabilizar a obra.

O projeto será apresentado ao Governo do Estado, que já firmou um convênio de R$ 12 milhões com o município. A obra, no entanto, está estimada em R$ 31 milhões, além dos custos das desapropriações dos terrenos por onde a via irá passar.

“Enquanto isso, a gente vai correr atrás do recurso. O prefeito Leonel Pavan já tem algumas estratégias para conseguir, provavelmente a obra deve acontecer no ano que vem”, explicou a secretária.

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Segundo ela, o município também está iniciando o processo de licenciamento ambiental para a duplicação da via, que liga Camboriú à região Sul de Balneário Camboriú.

“A gente não pode mais depender só da Avenida Santa Catarina para fazer esse acesso, hoje a gente já vê o reflexo disso. O bairro Rio Pequeno recebe toda a carga que vem da BR-101”, ressaltou.

Marcela relatou que as desapropriações devem elevar o custo da obra, já que os terrenos da região são valorizados. Ela também destacou que o bairro Rio Pequeno concentra o maior número de projetos em análise para aprovação de novas construções.

Prefeitura estuda alternativa para desapropriações

Outro ponto citado pela secretária é o estudo de uma legislação que permita ao município negociar com construtores por meio do potencial construtivo.

A proposta deve ser apresentada durante a revisão do Plano Diretor e busca criar uma alternativa para compensar os proprietários enquanto a Prefeitura não dispõe de recursos suficientes para realizar todas as desapropriações previstas, tanto para a SC-102 quanto para outras obras.

Assista a entrevista completa no Jornal da Menina:

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