Seminário em Balneário Camboriú alerta para mitos e desafios do aleitamento materno

Em 26/08/2026
por Daiane Valentin

Balneário Camboriú promove nesta quinta-feira, 27, o IV Seminário de Aleitamento Materno, com uma programação voltada às mães, famílias, profissionais da saúde e demais pessoas envolvidas na amamentação. O evento será realizado na Câmara de Vereadores, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30.

A programação faz parte das ações relacionadas à Semana Mundial do Aleitamento Materno e vai reunir profissionais de diferentes áreas para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres durante a amamentação.

Neste ano, a campanha promovida pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) traz como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma Sympla.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Atenção à Mulher (NAM), Andressa Ávila Melo, um dos principais problemas relacionados ao desmame precoce é a falta de informação e de apoio adequado às mães.

“Uma das principais causas do desmame precoce e das dificuldades da amamentação é a falta de informação”, explicou Andressa durante entrevista ao programa Canal 100 na Rádio Menina FM.

De acordo com ela, o preparo para a amamentação deve começar ainda durante a gestação e continuar depois do nascimento do bebê. A orientação também precisa envolver a família e a sociedade, que têm papel importante para que a mulher consiga manter o aleitamento.

Aleitamento exclusivo até os seis meses

A recomendação apresentada pela coordenadora é que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de idade, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos nesse período.

Após essa fase, a amamentação pode continuar junto com a introdução alimentar, mantendo os benefícios nutricionais do leite materno durante a adaptação da criança aos novos alimentos.

Apesar da recomendação, Andressa chama atenção para um dado preocupante: a média de aleitamento materno no Brasil é de apenas 54 dias. Para ela, o número mostra a necessidade de discutir o que está dificultando a continuidade da amamentação e de ampliar o suporte oferecido às mulheres.

Redes sociais podem trazer informações perigosas

Outro tema que será abordado no seminário é a influência das redes sociais nas decisões das famílias. A coordenadora afirma que a internet pode ser uma ferramenta importante para buscar informação, mas alerta para a quantidade de conteúdos sem orientação profissional.

Segundo Andressa, relatos de influenciadoras e experiências compartilhadas por outras mães não devem ser tratados como regras que funcionam para todas as mulheres e bebês. “Cada família é cada família, cada bebê é um bebê, cada mulher é uma mulher”, destacou.

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Ela também citou casos de orientações encontradas nas redes sociais que podem colocar a saúde das mães em risco. Entre os exemplos está a recomendação do uso de luz vermelha nos seios para tratar problemas relacionados à amamentação, prática que pode provocar queimaduras.

Por isso, a orientação é procurar profissionais de saúde antes de seguir dicas encontradas na internet.

Retorno ao trabalho é outro desafio

A volta ao trabalho também está entre os obstáculos para a continuidade do aleitamento materno. Andressa destaca que a licença-maternidade, em geral, é de quatro meses, enquanto a recomendação é de aleitamento exclusivo até os seis meses.

Para ela, é necessário que empresas e instituições ofereçam condições para que as mulheres possam continuar amamentando após o retorno às atividades profissionais.

Em Balneário Camboriú, segundo a coordenadora, a Secretaria de Saúde desenvolve ações em parceria com a Educação para garantir a continuidade do aleitamento também quando a criança passa a frequentar creches e berçários.

Algumas unidades já contam com lactários e as equipes estão sendo capacitadas para receber e armazenar o leite materno.

NAM oferece consulta e orientação sobre amamentação

O Núcleo de Atenção à Mulher também oferece consulta especializada de amamentação, inclusive para mulheres que ainda estão grávidas. A proposta é preparar a futura mãe antes do nascimento do bebê e oferecer orientação durante o processo.

O NAM conta ainda com um posto de coleta de leite materno para doação. Segundo Andressa, desde o início do serviço, mais de 212 mulheres já foram cadastradas como doadoras e quase mil litros de leite foram coletados.

A coleta pode ser feita na própria residência da doadora. O NAM fornece a bomba elétrica para a ordenha e os recipientes esterilizados para armazenamento. Depois, uma equipe da Prefeitura faz a coleta do leite na casa da mulher.

O material é encaminhado ao Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, que possui banco de leite e realiza o processamento antes da distribuição para bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatal.

“Leite fraco” é mito

Durante a entrevista, Andressa também falou sobre um dos principais mitos relacionados à amamentação: o chamado “leite fraco”. Segundo ela, não existe leite materno fraco. O que pode acontecer é a mulher apresentar baixa produção de leite, situação que pode estar relacionada, entre outros fatores, ao uso de mamadeiras, chupetas ou à introdução de fórmula.

A produção de leite materno está diretamente relacionada à frequência da amamentação. Quanto mais o bebê mama, maior tende a ser o estímulo para a produção.

Amamentação não é responsável, sozinha, por mudanças no corpo

Outro questionamento comum entre algumas mulheres é o receio de que a amamentação provoque alterações estéticas nos seios.

A coordenadora explica que as mudanças no corpo feminino estão relacionadas a diversos fatores, como genética, pele, gestação e estilo de vida, e não apenas ao período de amamentação.

Segundo ela, durante a gestação as glândulas mamárias aumentam para preparar os seios para a produção de leite, mas isso não significa que a amamentação seja a única responsável por eventuais mudanças na aparência.

Assista a entrevista completa no Canal 100:

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