“Eu quero justiça pelo meu bebezinho”, diz mãe de bebê que morreu após atendimento no Hospital de Camboriú; cinco profissionais foram afastados

Em 14/08/2026
por Érica Guckert

“Mãezinha, a técnica deu uma medicação errada para o seu bebê, deu uma dosagem a mais para ele. Ela deu uma ampola inteira”, relata mãe do bebê que morreu após complicações decorrentes da aplicação de medicação errada no Hospital Cirúrgico de Camboriú. O caso aconteceu na quarta-feira, 12. Até o momento, cinco profissionais envolvidos no atendimento foram afastados.

Os familiares de Murilo dos Santos Costa conversaram com o repórter Adilson de Souza, da Rádio Menina, e relataram todo o ocorrido desde a chegada à unidade hospitalar. A mãe, Fernanda Gabriely, informou que, pela primeira vez, o bebê havia tomado fórmula de leite e apresentado algumas alergias pelo corpo. Em seguida, ela procurou atendimento no hospital da cidade.

Ao chegar ao local, Fernanda relatou que o médico pediatra prescreveu a aplicação de Dexametasona e Adrenalina, medicamentos que podem ser utilizados em casos de reações alérgicas graves.

“Eu questionei o médico e disse assim: ‘Doutor, você não acha que é uma medicação muito forte para o meu bebê? Ele tem 1 mês e 17 dias’. Ele explicou para mim e disse que era o protocolo deles, que eles deveriam aplicar a medicação. Ele me indicou; eu não era obrigada, mas ele falou que me indicava fazer isso e que era para eu confiar nele”, explicou Fernanda.

Em seguida, mãe e filho foram encaminhados para a sala de medicação, onde uma profissional os chamou para aplicar os medicamentos. Segundo o relato da mãe, a profissional não se identificou e apenas realizou a aplicação.

“Eu segurei meu bebezinho no colo e ela deu a medicação para ele. Logo em seguida, meu bebezinho chorou muito, muito. Eu tentei acalmar ele, e ele começou a fazer cocô, se tremeu e tentou vomitar. As mãozinhas dele ficaram todas roxas, o pezinho dele ficou muito roxo”, relembrou.

Diante da situação, a jovem afirma que pediu ajuda à profissional, informando que a criança não estava bem. De acordo com a mãe, o médico compareceu à sala de medicação e informou que se tratava de uma reação ao medicamento e que o bebê iria “voltar e que ficaria tudo bem com ele”.

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“Só que eles começaram a conversar entre si, e eu vi que não estava certo, alguma coisa estava errada. Eles começaram a tentar furar o meu bebezinho, começaram a entrar outros médicos lá. Entrou uma equipe muito grande lá dentro, e ninguém me dizia o que estava acontecendo.”

Segundo a mãe, os batimentos cardíacos do bebê estavam entre 230 e 250 por minuto e não diminuíam. Mesmo questionando sobre o que estava acontecendo, Fernanda afirma que não recebeu respostas. Ela relata que o médico acionou o SAMU e que a equipe da unidade colocou o bebê em oxigenação.

“Ele estava lutando muito contra a vida dele.”

Medicação errada

De acordo com Fernanda, após mais de uma hora e meia de atendimento ao bebê, o médico a chamou para conversar e informou que a técnica de enfermagem havia aplicado uma medicação errada, em uma dosagem acima da prescrita.

“Era para ela ter dado 0,3 e ela deu uma ampola inteira para ele. Por isso que o seu bebê está assim”, relembrou a mãe.

Ainda segundo o relato, a família solicitou o nome do responsável pela aplicação da medicação, mas a informação não teria sido fornecida pela equipe do hospital.

“Eles levaram o meu bebê. Essa mulher aplicou o medicamento errado e levou o meu único filho que eu tinha. O único filho que Deus me deu, ela levou. Eu quero justiça pelo meu bebezinho”, afirmou Fernanda.

O irmão de Fernanda e tio do bebê, Gabriel, estava no hospital no momento da situação. Ele relata que ouviu o sobrinho chorando e acompanhou a movimentação de médicos entrando na sala onde a criança e a mãe estavam.

“A gente espera a justiça, porque não foi uma morte comum. Ele era inocente, não sabia o que estava sendo aplicado nele. Então, eu acho que os profissionais deveriam prestar mais atenção no que eles fazem, porque eles acabaram deixando uma família toda de luto”, desabafou Gabriel.

Cinco profissionais afastados

O Hospital Cirúrgico de Camboriú é atualmente gerenciado e administrado pela Associação Hospitalar do Brasil (AHBR). Em entrevista à Rádio Menina, o diretor-presidente da instituição, Christian Salgado, informou que, após ser comunicado sobre o falecimento do bebê, abriu uma investigação interna para apurar o caso.

Até o momento, segundo ele, cinco profissionais foram afastados do hospital: o médico responsável pelo atendimento e pela prescrição dos medicamentos, a técnica de enfermagem, duas enfermeiras e a coordenadora de enfermagem.

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“Para salvaguardar a integridade física, até que tenhamos, de fato, o fim das investigações e a autonomia da investigação, eu determinei, então, o afastamento de todos os colaboradores que tiveram contato direto ou indireto com o paciente”, afirmou o diretor.

Ainda de acordo com o diretor, uma sindicância foi instaurada. “Iniciado o expediente de quinta-feira, 13, e, com o decorrer das investigações preliminares, eu instaurei uma sindicância para, em 15 dias, apresentarem um relatório conclusivo sobre o que aconteceu”, explicou Christian.

Questionado sobre a acusação de que a equipe teria administrado uma dose errada de medicação, o diretor afirmou que não tem acesso aos prontuários médicos e que é necessário aguardar o término das investigações internas para chegar a uma conclusão e entregar o relatório às autoridades competentes.

“Após a apuração do que aconteceu, eu, de posse do relatório, possa compartilhar com a autoridade policial, com a Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú e com o Ministério Público, para que aí possa-se fazer a persecução penal, se ficar comprovada culpa ou dolo dos envolvidos. E também para que eu possa tomar as medidas no âmbito do contrato de trabalho, no âmbito interno e administrativo”, relatou.

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