Uma mulher foi condenada pela justiça catarinense a 23 anos, seis meses e seis dias de reclusão por ter chefiado um esquema de fraudes eletrônicas conhecido como “golpe da falsa central bancária”. Os golpes aplicados em diversas vítimas somam perdas de mais de R$ 160 mil, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A chefe do esquema vai responder por fraudes eletrônicas praticadas contra cinco vítimas, além do crime de associação criminosa. A denúncia foi oferecida pela 35ª Promotoria de Justiça da Comarca de Florianópolis.
Outros sete integrantes do grupo também foram condenados, com penas entre dois e três anos de prisão, conforme a participação de cada um nos crimes, em regime inicial fechado. Os réus ainda podem recorrer das sentenças.
O processo aponta que os réus cediam contas bancárias para receber e distribuir o dinheiro das fraudes. Eles também responderão por associação criminosa e devem reparar os prejuízos causados às vítimas.
As investigações começaram depois de uma das vítimas registrar um boletim de ocorrência relatando ter perdido cerca de R$ 30 mil. As apurações comandadas pela Divisão de Combate a Estelionatos da Grande Florianópolis da Polícia Civil levou à identificação de cinco vítimas na capital, incluindo idosos. Em um dos casos, o prejuízo foi de R$ 110 mil.
Com o avanço das investigações, um imóvel em São Paulo ligado aos criminosos foi descoberto. No local havia uma “central de aplicação de golpes”, conforme o MPSC. Foram apreendidos notebook, celulares e arquivos relacionados às fraudes.
Foram encontradas evidências como conversas com vítimas, comprovantes de transferências, planilhas de controle financeiro do esquema e listas com dados pessoais de potenciais alvos.
Após a denúncia do MPSC, a justiça considerou que havia uma estrutura organizada por trás dos crimes e os envolvidos tinham as tarefas divididas.
Como o grupo agia?
Os criminosos ligavam e enviavam mensagens para as vítimas, fingindo ser funcionários de instituições financeiras. Durante o contato, diziam que havia movimentações suspeitas, tentativas de fraude ou invasões nas contas bancárias.
Depois, as vítimas eram orientadas a supostamente cancelar transferências indevidas. Para aparentar veracidade, os golpistas usavam imagens de aplicativos bancários, jingles de bancos e roteiros prontos de conversa.
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No entanto, ao realizar os procedimentos indicados, as vítimas acabavam transferindo valores via Pix para contas que o grupo controlava. Nestas contas cedidas pelos integrantes, a origem e o destino do dinheiro era ocultada, para dificultar que os valores fossem rastreados.
Como evitar golpes?
Segundo o promotor de Justiça Giovanni Andrei Franzoni Gil, em casos como este, os criminosos utilizam a urgência para que a vítima não tenha tempo de confirmar a informação que estão recebendo.
Ele alerta que ao receber ligações sobre supostas fraudes, movimentações ou bloqueios de conta, a vítima não deve informar senhas ou códigos, não clicar em links nem realizar transferências.
“Encerre a chamada e entre em contato com o banco por um canal oficial acessado por iniciativa própria. O importante é lembrar que a sofisticação do golpe pode induzir qualquer pessoa em erro, razão pela qual a informação e a prevenção são fundamentais”, explica o promotor.

