Balneário Camboriú busca ampliar método Wolbachia após registrar menor número de casos de dengue em 10 anos

Em 28/07/2026
por Daiane Valentin

Balneário Camboriú está em tratativas com o Ministério da Saúde, o Governo de Santa Catarina e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para ampliar a aplicação do método Wolbachia no município. A intenção é levar a tecnologia para novos bairros, após a cidade registrar apenas 11 casos confirmados de dengue em 2026, o menor número dos últimos dez anos, segundo o diretor da Vigilância Ambiental, David Cruz.

O profissional relatou que o município não foi contemplado pelo Ministério da Saúde na segunda fase do programa neste ano, mas as negociações continuam para viabilizar a expansão.

“A gente está na luta, tentando ampliar para a segunda fase. Infelizmente o município não foi contemplado através do Ministério da Saúde para este ano, mas estamos em tratativas com o Governo do Estado, com o próprio Ministério e com a Fiocruz para achar uma saída e conseguir ampliar o método, tendo em vista que a gente teve um resultado surpreendente”, afirmou.

Na primeira etapa, o método foi implantado apenas em parte da cidade – nos bairros Nações, Ariribá, Municípios e parte do Centro – seguindo o limite estabelecido pelo programa federal. Agora, a expectativa é ampliar a cobertura e atender outras localidades.

Embora a avaliação oficial da Fiocruz deva ser divulgada entre dois e três anos após o início das liberações dos mosquitos com Wolbachia, a Vigilância Ambiental afirma que os reflexos já são percebidos no município. “Desde que a gente iniciou a soltura (dos Wolbitos), se percebe uma queda gradativa no número de casos”, disse. 

Menor número de casos da década

Entre janeiro e julho deste ano, Balneário Camboriú confirmou apenas 11 casos de dengue. Segundo David Cruz, parte deles ainda é considerada importada, quando a infecção ocorre em outro município, mas entra nas estatísticas da cidade por causa do atendimento e do bloqueio epidemiológico realizados no local.

Foto: Divulgação/PMBC

Para o diretor, o resultado é fruto de um conjunto de ações desenvolvidas pela Vigilância Ambiental. “Com certeza, claro, juntamente com nossos esforços, com as outras ações, as aplicações, as visitas. Não é um resultado isolado só do método, mas ele veio para complementar nossas ações e contribuiu para esse ótimo resultado que estamos tendo hoje”, explicou Cruz.

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Apesar da redução expressiva dos casos, o trabalho de combate ao mosquito continua ao longo de todo o ano. Atualmente, os bairros Barra, Centro e Nações concentram a maior atenção das equipes por apresentarem mais focos do Aedes aegypti.

Aceitação da população aumentou

David Cruz também avalia que a percepção da população sobre a Wolbachia mudou desde o início da implantação do programa. Antes das primeiras solturas, a Vigilância Ambiental realizou uma pesquisa com cerca de 800 moradores e registrou índice de aceitação superior a 96% após a apresentação da tecnologia.

Segundo ele, a divulgação de informações sobre o funcionamento do método e os resultados obtidos ajudaram a ampliar o entendimento da comunidade. “Hoje a gente percebe uma aceitação muito melhor. A população começou a entender realmente como o método funciona, e os resultados são realmente surpreendentes”.

Enquanto busca viabilizar a segunda fase do programa, a Vigilância Ambiental reforça que a participação dos moradores continua sendo fundamental. A recomendação é eliminar recipientes que possam acumular água parada e dedicar pelo menos dez minutos por semana para verificar possíveis criadouros do mosquito dentro dos imóveis.

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