Um hábito comum entre crianças e adolescentes pode estar associado ao desenvolvimento e à piora de uma doença ocular que afeta a visão de forma progressiva. Coçar os olhos com frequência é um dos principais fatores relacionados ao avanço do ceratocone, condição que provoca deformações na córnea e pode exigir tratamentos mais complexos quando não diagnosticada precocemente.
O alerta ganha destaque durante o Junho Violeta, campanha de conscientização sobre a doença. Segundo a oftalmologista Larissa Bowens, do Hospital Oftalmos, em Balneário Camboriú, o ato repetitivo de esfregar os olhos pode comprometer a estrutura da córnea e acelerar a evolução do problema, especialmente em pacientes que sofrem com alergias oculares.
De acordo com a especialista, o ceratocone ocorre quando a córnea perde gradativamente sua forma natural, tornando-se mais fina e projetada para frente. Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e percepção de halos ao redor de focos luminosos.
A médica explica que a doença costuma surgir entre os 10 e os 25 anos de idade, período em que a córnea ainda está em desenvolvimento. Por isso, mudanças frequentes no grau dos óculos podem servir como sinal de alerta para pais e responsáveis.
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“Quando uma criança ou um adolescente troca o grau duas ou três vezes em um ano, isso não é normal e precisa ser investigado”, afirma Larissa.
Além dos fatores comportamentais, o histórico familiar também influencia no risco de desenvolvimento da doença. Pessoas que possuem parentes de primeiro grau com diagnóstico de ceratocone devem manter acompanhamento oftalmológico regular.
Atualmente, os tratamentos variam conforme o estágio da doença. Nos casos iniciais, um dos procedimentos utilizados é o crosslinking, técnica que fortalece a córnea e ajuda a interromper a progressão do quadro. Em situações mais avançadas, podem ser indicadas lentes especiais ou até transplante de córnea.
Como parte das ações de conscientização, o Hospital Oftalmos promoverá no dia 11 de junho, em Balneário Camboriú, um encontro aberto ao público para discutir o ceratocone. A programação reunirá especialistas, pacientes e convidados para compartilhar informações e experiências relacionadas à doença.

