Cidade com mais de 140 mil habitantes e vizinha da capital catarinense do turismo tem apenas um hotel para receber visitantes

Em 21/05/2026
por Érica Guckert

Ao lado de uma cidade turística e movimentada durante as quatro estações do ano, cuja capacidade hoteleira normalmente concentra mais de 90% de ocupação em feriados e datas importantes, a poucos passos de distância, está localizado um município que tem apenas um hotel — isso mesmo, um hotel para receber os visitantes da cidade e também os que “sobram” das outras.

A cidade é Camboriú, conhecida como a “mãe” de Balneário Camboriú, e tem a economia movida por setores como serviços, comércio e agricultura familiar. Apesar de ter variadas opções de turismo rural, possui apenas um hotel para receber os visitantes.

Um dos questionamentos que norteiam essa falta de empreendimentos no município é: como a cidade, ao lado de um dos locais turísticos mais procurados do Brasil, perde a chance de conquistar turistas que “sobram” em Balneário Camboriú?

O cenário levanta discussões sobre a capacidade de Camboriú em aproveitar o fluxo de turistas de Balneário Camboriú, especialmente diante da atual estrutura de hospedagem do município.

O único da cidade fica no Centro

A cidade tem uma extensão territorial de 212,5 km² e, conforme informações repassadas pela prefeitura, existe apenas um hotel, o Arco do Sol Park Hotel, localizado no Centro da cidade. O estabelecimento conta com 45 Unidades Habitacionais (UH) e com 120 leitos.

Mas se na prática, faltam hotéis para quem busca a região central da cidade, o turismo rural e de natureza ganha destaque, concentrando um grande número de pousadas para os turistas aproveitarem as áreas mais afastadas do centro urbano. Ao todo, são 91 pousadas ativos em localidades como Caetés, Braço, Macacos e próximo ao Morro do Encano, no bairro Rio Pequeno.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Camboriú, Resi Nunes, Camboriú conta com cerca de 1.000 a 3.000 leitos formais, o que, para ela, representa uma oferta limitada, resultando no “escoamento” de turistas que visitam a cidade durante eventos como os Gideões. 

“Esse número é insuficiente para atender à demanda gerada por eventos de grande porte, o que contribui diretamente para o deslocamento dos visitantes para cidades próximas”, afirmou.

Ainda conforme a secretária, “há evidências claras de que Camboriú não apenas perde parte do público em termos de hospedagem, como também acaba distribuindo esse fluxo para toda a região, o que gera efeitos positivos e negativos”. Ela destacou que essa falta de opções em hospedagem resulta em um impacto regional imediato, com alta ocupação em cidades vizinhas como Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí.

Resi também afirmou que esse deslocamento para outras regiões “limita o potencial econômico direto do turismo no município”.

Foto: Divulgação/PMC

Do outro lado da ponte, as opções são maiores

Por outro lado, se em Camboriú a cidade carece de hotéis, Balneário Camboriú conta com um número de estabelecimentos muito superior. São 74 hotéis, com 6.494 Unidades Habitacionais (UH), 16.104 leitos disponíveis. Os dados foram disponibilizados pela Secretária de Turismo de Balneário Camboriú.

Na prática, Balneário Camboriú tem cerca de 144 vezes mais Unidades Habitacionais (UH) e 134 vezes mais leitos do que Camboriú. Em números absolutos, são 6.449 UH a mais e uma diferença de 15.984 leitos, evidenciando a enorme disparidade na capacidade de hospedagem entre os dois municípios. 

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Dentro desse cenário, o único hotel em Camboriú surpreende pelo fato de o município oferecer opções de turismo rural e religioso, e também por estar ao lado de Balneário Camboriú, que recebe anualmente milhares de visitantes e que deveria “respingar” na cidade-mãe.

Para a secretária, apesar dessa realidade da falta de permanência dos visitantes, Camboriú “não atua em concorrência direta com Balneário Camboriú, mas sim de forma complementar e estratégica”.

“O município investe em segmentos turísticos que se diferenciam, como o turismo rural, turismo de natureza, turismo religioso e experiências culturais locais, o que permite atrair visitantes que buscam vivências mais autênticas e tranquilas, ampliando o papel de Camboriú dentro do contexto turístico regional”, completou.

Público diferente entre as duas cidades

Para a responsável pelo único hotel de Camboriú, Agny Pereira Lorencetti, as pessoas têm buscado hospedagens na cidade priorizando a tranquilidade, a localização e o custo-benefício. Agny destacou que os visitantes “dividem” a atenção entre as cidades, e os que escolhem Camboriú são motivados pelo valor.

“Os turistas acabam passando boa parte do dia em Balneário, aproveitando os atrativos, e depois retornam para o hotel”, explicou. A responsável também destacou que alguns visitantes fazem uma comparação entre as duas cidades em relação a preço, estrutura e localização para escolherem o local de estadia.

Foto: Divulgação/pmc

Avaliando os desafios de crescimento do setor hoteleiro, a empresária destaca que o principal é “manter a competitividade durante a baixa temporada, porque, enquanto Balneário Camboriú continua recebendo bastante movimento devido à estrutura turística e às opções de lazer, Camboriú acaba sentindo mais a redução do fluxo de hospedagem”.

Para a gerente comercial da Fazenda Caetés, Fernanda Florio, apesar de haver essa busca por parte de alguns turistas, qualquer tipo de evento realizado em Camboriú “supera a capacidade de hospedagem, fazendo com que os hóspedes se instalem em Balneário Camboriú, onde a oferta é maior que a demanda”. No entanto, para Fernanda, apesar dessa migração de turistas para outras cidades, o município pode se beneficiar ainda mais investindo na prática do turismo rural.

“Temos em Camboriú um enorme potencial de turismo rural e de natureza, e o tipo de hóspede que vai para Balneário Camboriú não é o foco de Camboriú”, avaliou Fernanda.

Como “prender” o turista em Camboriú?

Diante da baixa de visitantes em Camboriú e dessa falta de estrutura para abrigar a maior parte dos turistas, a secretária de Turismo de Camboriú, Resi Nunes, informou que a cidade atua em projetos e ações para “ampliar o tempo de permanência dos visitantes e qualificar a experiência local”, destacando o trabalho de ampliação da própria capacidade turística. “A estratégia não é apenas reter o turista, mas tornar Camboriú um destino cada vez mais estruturado e atrativo.”

Ainda conforme a secretária, estão sendo desenvolvidas ações em parceria com entidades do setor turístico, além da participação em iniciativas regionais como o Consórcio Intermunicipal de Turismo Costa Verde e Mar (CITMAR). Ela também destacou a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial do Turismo, que inclui um diagnóstico da infraestrutura, análise da oferta e da demanda, além da definição de diretrizes para a expansão qualificada do setor.

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