Vereador Marcelo Achutti critica atuação da Polícia Militar em Balneário Camboriú: “Tem que estar na rua, não fiscalizando ponto de milho”

Em 19/05/2026
por Gerson Felippi

O vereador Marcelo Achutti (MDB) fez duras críticas à atuação da Polícia Militar em Balneário Camboriú durante entrevista concedida ao Programa Bote a Boca no Trombone desta terça-feira, 19, na Rádio Menina. O parlamentar voltou a questionar operações de fiscalização realizadas em quiosques e pontos de milho e churros na Praia Central, afirmando que esse tipo de ação desvia a corporação de sua principal função: o combate à criminalidade.

A entrevista ocorreu após a repercussão de vídeos publicados pelo vereador nas redes sociais, criticando a fiscalização da PM aos comerciantes que atuam na orla.

“Para que a Polícia Militar tem que se preocupar com alvará?”, questiona vereador

Durante a entrevista, Achutti afirmou que Balneário Camboriú possui estrutura suficiente dentro da prefeitura para realizar esse tipo de fiscalização, incluindo cerca de 58 fiscais de postura.

Segundo ele, a atuação da Polícia Militar em operações envolvendo alvarás, habite-se e regularização de pontos comerciais representa desvio de finalidade.

“Com todo respeito, a Polícia Militar faz um excelente trabalho e presta. Faz muito com pouco, muitas vezes. Mas o papel da Polícia Militar é estar na rua prendendo vagabundo”, declarou.

O vereador também citou fiscalizações de bicicletas no calçadão, motocicletas com escapamento irregular e conveniências, afirmando que parte dessas ações deveria ser executada por outros órgãos municipais, como, nesse caso, os Agentes de Trânsito e fiscais de posturas.

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Críticas à segurança nos bairros e presença policial

Um dos principais pontos levantados por Achutti foi a falta de sensação de segurança nos bairros de Balneário Camboriú. O parlamentar afirmou que recebe constantes reclamações da população sobre tráfico de drogas e presença de usuários em regiões residenciais e próximas a escolas.

“O que falta, sim, não é só investimento, é a polícia na rua. Cadê a Polícia Militar no período da noite? Eu não vejo (…) as forças de segurança não têm que estar fiscalizando ponto de milho. Não têm que estar fiscalizando alvará de quiosque”, cobrou.

Achutti também mencionou denúncias recorrentes sobre tráfico em áreas como Avenida Atlântica, marginais da cidade e proximidades de praças e escolas.

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Falta de integração entre forças de segurança

Outro ponto debatido foi a crítica à suposta falta de integração entre Polícia Militar, Guarda Municipal, BC Trânsito e fiscalização municipal. Segundo o vereador, há uma vaidade da “cor da farda” que impediria uma atuação mais eficiente e coordenada entre os órgãos.

“O que nós estamos aqui cobrando neste momento é a presença da Polícia Militar, da Guarda Municipal e dos nossos agentes de trânsito, fazendo o trabalho em conjunto. E isso, com todo respeito, nunca aconteceu e, se continuar com a vaidade que tem, nunca vai acontecer”, disse.

Para resolver o problema, Achutti defendeu uma reunião entre representantes das forças de segurança e órgãos municipais para definir atribuições e evitar sobreposição de funções.

“Não é ilegal, mas é imoral”

Entre as falas que mais repercutiram, Marcelo Achutti afirmou que considera “imoral” a Polícia Militar atuar na fiscalização de pontos de milho e churros. “Não é ilegal, mas é imoral”, disse.

Apesar das críticas, Achutti ressaltou em diversos momentos que reconhece o trabalho da corporação e afirmou não ter posicionamento contrário ao comando do 12º Batalhão.

“Não tenho nada contra o comandante. Pelo contrário, já defendi várias ações que ele fez, principalmente uma ação em que queriam tirá-lo daqui, e eu o defendi, continuo defendendo, porque é um homem trabalhador, não estou desmerecendo o seu trabalho. Agora, algumas ações são equivocadas, sim”, avaliou.

O comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rafael Vicente, foi convidado a participar da entrevista com o vereador Marcelo Achutti. Ele chegou a confirmar presença, porém posteriormente cancelou sua participação devido a compromissos particulares.

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