“Eles ficam jogando um pro outro”: famílias denunciam falta de auxiliares em escolas de Camboriú

Em 28/04/2026
por Jornalismo Menina

Uma reclamação levada ao programa Bote a Boca no Trombone, nesta terça-feira, 28, expôs dificuldades enfrentadas por famílias de crianças com deficiência ou autismo na rede municipal de Camboriú. O relato, feito por uma responsável, aponta a ausência de profissional de apoio em sala de aula para um aluno autista de grau 3 no Centro Educacional Municipal (CEM) Abelardo Torquato Rosa, na Várzea do Ranchinho.

Segundo a responsável, a criança, de 4 anos, aguarda desde o início do ano letivo por um auxiliar. “Estamos esperando uma auxiliar pra ele desde o começo das aulas”, relatou. Ela afirma que, diante da falta de suporte, o filho passou por uma situação constrangedora ao não conseguir ir ao banheiro durante o período escolar. “Ele se mijou nas calças porque a pessoa não teve como levar ele no banheiro, pois tinha só ela na sala de aula”, disse.

Ainda conforme o relato, houve dificuldade de comunicação entre a unidade escolar e a Secretaria de Educação. “Eles ficam jogando um pro outro”, afirmou a responsável, ao relatar que buscou orientações, mas recebeu respostas desencontradas sobre de quem seria a responsabilidade pela resolução do problema.

Outros pais também relataram situações semelhantes. Uma ouvinte afirmou que a falta de monitores não é pontual e atinge diferentes escolas do município. “Esse problema não está só na Várzea do Ranchinho, está em todo Camboriú”, disse. Segundo ela, há turmas com cerca de 20 alunos sem a presença de profissional de apoio. “A professora quase todos os dias implora para os pais pedir socorro”, relatou, destacando que a situação tem gerado preocupação entre as famílias.

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Em resposta, a secretária de Educação de Camboriú, Carin Krug, afirmou que todos os profissionais aprovados em concurso e processo seletivo já foram convocados. “Todos os assistentes que tinham feito o concurso e tínhamos vagas em lei, nós chamamos. Todos os assistentes que estavam no seletivo foram chamados”, declarou.

Segundo ela, a prefeitura já encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto para ampliar o número de vagas e viabilizar novas contratações. “Estamos aguardando que a Câmara agilize esse chamamento para que a gente possa fazer a convocação desses novos profissionais”, disse.

A secretária também destacou o aumento na demanda por atendimento especializado. “De sete alunos que nós recebemos por dia, cinco vêm com laudo”, afirmou. Ainda de acordo com ela, a rede tem adotado medidas internas para amenizar o problema. “Nós estamos tomando outras medidas, remanejando funcionários, para que a gente possa atender a todos sem prejuízo”, explicou.

Por fim, a secretária reconheceu as dificuldades enfrentadas pelas famílias, mas pediu compreensão. “A gente pede um pouco mais de paciência, eu sei que é complicado, mas nós estamos trabalhando para que a gente possa dar conta de atender com qualidade aos nossos estudantes”, concluiu.

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