Uma nova iniciativa voltada ao acolhimento de famílias atípicas começa a atuar em Balneário Camboriú. O Instituto Esmeraldas da Esperança passa a oferecer suporte gratuito a mães de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), com foco no cuidado integral dessas mulheres, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional e social.
A diretora regional do Núcleo Esmeraldas de Acolhimento e Transformação, Dorcas Rabelo, destacou em entrevista ao Jornal da Menina que o projeto nasce com o propósito de olhar para quem, muitas vezes, fica em segundo plano. “É um prazer imenso poder estar aqui representando o nosso Instituto com muito carinho, porque falar de mãe é algo que enche o meu coração, ainda mais as mães atípicas que têm um sobrepeso, uma sobrecarga muito grande. Então nós estamos aqui realmente para representar e acolher todas elas.”
Segundo ela, o atendimento busca aliviar a carga enfrentada por essas mulheres no dia a dia. “A mãe chega ali totalmente sem a identidade real dela. Ela já não se encontra mais, ela já não sabe mais quem ela é. Então ela chega ali justamente com aquela carga assim, é meu filho, é meu filho, é meu filho, só cuida do filho diariamente, até dormindo, não consegue ter um sono de qualidade. Então é algo muito, muito profundo.”
O instituto oferece apoio em diversas áreas, de acordo com a necessidade individual de cada mãe. Segundo Dorcas Rabelo, o atendimento inclui suporte jurídico e na área da saúde, com foco especial na saúde mental e odontológica, além de outras demandas específicas que possam surgir, bem como a oferta de cestas básicas quando necessário.
Além do suporte material, o acolhimento psicológico é um dos pilares do projeto. “Tem mãe que já nos procurou, que já tem condições, não precisa de uma cesta básica, mas precisa muito do acolhimento psicológico. Então vamos entrar com esse trabalho muito forte.”
A diretora também ressaltou que o serviço é totalmente gratuito. “Quero frisar muito esse posicionamento da nossa equipe, do nosso instituto. É totalmente gratuito, totalmente gratuito mesmo.”
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Durante a entrevista, Dorcas chamou atenção para a realidade enfrentada por muitas famílias, especialmente no que diz respeito à ausência paterna. “É uma realidade muito, muito grande. Assim, a estatística é enorme. Vamos botar, se eu não me engano, em torno de 70% dos casos, o quadro é esse. O pai vai embora porque, a partir dos 5 anos da criança, já vê que não aguenta aquela pressão toda.”
Apesar do foco nas mães, o instituto também atende outros responsáveis. “O nome do Instituto é Mães Esmeraldas, só que não vamos abandonar o pai também. […] Vamos acolher todos os tipos de pessoas, com certeza.”
Além de receber famílias, o projeto também busca voluntários e apoiadores. “Nós precisamos de tudo, porque uma mãe precisa de tudo, um ser humano precisa de tudo”, afirmou Dorcas, destacando que profissionais de diferentes áreas podem contribuir, assim como doadores.
A iniciativa já começou os atendimentos e, segundo a diretora, tem sido bem recebida pela comunidade. “Estamos sendo abraçados de uma forma incrível […] vamos unir muitas forças para poder acolher o máximo de mães possíveis aqui nesse projeto.”
Interessados em buscar apoio ou contribuir com o instituto podem entrar em contato por meio do Instagram da instituição.

