Balneário Camboriú registrou 22 internações involuntárias de pessoas em situação de rua em cinco meses, desde que o programa iniciou em novembro de 2025. Os resultados têm sido considerados positivos. O secretário de Assistência Social, Mulher e Família, Dão Koeddermann, explica que o programa se diferencia da abordagem social tradicional, com trabalho direcionado para que essas pessoas não retornem às ruas após o tratamento.
O município acompanha a liberação de cinco pessoas que passaram pela internação. Parte delas foi encaminhada para residências inclusivas, destinadas a pacientes com transtornos mentais ou limitações cognitivas, enquanto outras seguem em reabilitação em casas de passagem, com acompanhamento técnico.
“Essa avaliação tem sido positiva, nós estamos com a quinta pessoa sendo liberada do hospital esta semana. Três foram para residências inclusivas. Outras duas já estão passando por outro programa que é dentro de uma Casa de Passagem para reabilitação, onde eles continuam sendo acompanhados pela equipe multidisciplinar”, detalhou Dão.
Segundo ele, um dos casos foi o retorno de uma mulher ao convívio familiar, com monitoramento da equipe. “Foi uma das primeiras internações, ela voltou para a família, está convivendo com o marido, com os filhos, ainda acompanhada pela nossa equipe, mas ela está em casa”, afirmou o secretário.
O modelo do programa inclui internação para desintoxicação, avaliação médica, psicológica e neurológica, além de encaminhamento personalizado, seja para ressocialização ou para tratamento permanente, conforme cada caso.
Programa prevê acompanhamento contínuo
Durante a internação, que dura entre três e quatro meses, os pacientes recebem atendimento de médicos, psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Após essa etapa, passam por uma avaliação que define a possibilidade de reinserção social, incluindo acesso a qualificação profissional.
O caso recente de um jovem de 26 anos, com dependência química, chamou a atenção. Ele estava na rua há cerca de 12 anos e já havia passado por mais de 160 abordagens. Ele foi acolhido pela equipe na última sexta-feira e, agora internado, vai receber acompanhamento.
“A gente vai disponibilizar para a família onde ele está internado, inclusive permitindo que eles, se quiserem, possam fazer visitas. A gente vai monitorá-lo semanalmente. A gente quer que futuramente, quando a gente conseguir que ele esteja apto a ser ressocializado, que a família faça parte disso.”
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O secretário destaca a participação das famílias e os feedbacks que a Secretaria de Assistência Social está recebendo.
“Com relação a outras situações, a gente tem tido positividade no relacionamento com as famílias, isso é muito importante. A gente receber esse feedback da família como algo positivo, que eles nunca viram realmente uma pessoa em situação de rua ser tratado como eles gostariam que o filho deles fosse realmente tratado.”
Projeto piloto vai durar um ano
O programa é acompanhado pela promotoria pública e é executado por meio de instituições credenciadas pelo município, que passam por avaliação técnica. A iniciativa funciona como projeto piloto, com previsão de análise ao longo de um ano para consolidação do modelo.
Apesar de se tratar de uma política pública recente e de um tema sensível, a Secretaria de Assistência Social avalia que a aceitação da população tem sido majoritariamente positiva. As críticas, segundo o secretário, não são expressivas, enquanto cresce a compreensão sobre a proposta.
“É um projeto piloto, o que a gente tem sentido para as pessoas que a gente consegue explicar e passar o que é o projeto, que agora ele está sendo mais divulgado, é uma responsabilidade de que nós estamos buscando para nós e que estão compreendendo e achando que isso tem que ser já replicado para os demais municípios”, relatou o secretário.
Dão também relatou que o número de pessoas em situação de rua consideradas fixas na cidade já apresenta redução, passando de cerca de 120 para aproximadamente 80, conforme estimativa da própria secretaria.
“A sociedade tem que entender que esse é um problema que existe, ele é latente e está aos nossos olhos. De 2011 a 2025 houve um crescimento absurdo, de 400 para 14 mil (pessoas) aqui no Estado. É uma situação que preocupa e a gente tem que estar atento. Eu sempre digo que a população de rua você controla, você não vai conseguir extinguir”, afirma.

