Quando uma pessoa desaparece, o círculo familiar entra em estado de alerta e, em muitos casos, sem saber o que fazer, quem contatar e de que forma agir diante da situação. Em Santa Catarina, o programa SOS Desaparecidos auxilia na busca por pessoas desaparecidas.
Em 2025, Santa Catarina registrou o desaparecimento de 4.317 pessoas, uma média de 12 casos por dia, sendo o 6º estado com o maior índice de desaparecidos. Os dados foram divulgados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
Apesar do número elevado, o estado possui uma taxa de localização significativa. Em 2024, 83% dos casos foram solucionados, com 3.974 pessoas localizadas.
Entre o total de casos registrados, 1.450 envolvem crianças e adolescentes. O coordenador do SOS Desaparecidos de Santa Catarina, Leonardo Baccin, explicou como o programa atua na localização de pessoas desaparecidas e destacou a importância de acionar os órgãos oficiais o quanto antes.
Segundo ele, ainda hoje, “o desaparecimento é um fenômeno muito delicado e, ao mesmo tempo, as pessoas não sabem o que fazer”. Ele ressalta que muitos familiares ficam perdidos diante da situação.
O primeiro ponto esclarecido pelo major foi em relação ao tempo de espera para acionar as forças de segurança. Ele destacou que não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento, mas agir a partir do momento em que a situação foge da normalidade.
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“Isso ainda é um tabu muito grande. Não existe prazo de 24 horas, nem 12, nem 48 horas para fazer o boletim de ocorrência ou para entrar em contato com o SOS Desaparecidos, com uma viatura na rua ou com a Polícia Civil”, afirmou. “O tempo do desaparecimento é o tempo em que eu percebo que fugiu da rotina”, completou.
Ainda de acordo com o coordenador, a situação deve ser avaliada pela família e por pessoas próximas. “Fugiu meia hora? Pode ainda estar dentro da normalidade. Agora, fugiu duas horas e a pessoa não retornou nem avisou que tinha outro compromisso? Já é um alerta”, explicou.
O oficial ressaltou que cada caso deve ser analisado individualmente, mas reforçou a importância de acionar o programa assim que houver qualquer anormalidade.
Como a busca é realizada
Conforme explicou o major à Rádio Menina, após o registro de um boletim de ocorrência, os setores do SOS Desaparecidos reúnem informações e articulam ações com a Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil e também com a população.
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O oficial também destacou que o comportamento de crianças e adolescentes nas redes sociais impacta diretamente nas investigações. Em muitos casos, os jovens deixam de publicar conteúdos ou até excluem perfis, o que dificulta o trabalho de localização.
Segundo ele, a corporação utiliza ferramentas tecnológicas capazes de cruzar imagens publicadas na internet para identificar possíveis locais por onde a pessoa passou. A partir de uma foto, o sistema consegue localizar registros e indicar onde o desaparecido pode ter estado recentemente. No entanto, esse recurso depende da existência de postagens.
O major ressalta que, quando o adolescente não publica nada, as chances de localização diminuem. Já o acesso a conversas privadas, como mensagens em aplicativos, só pode ser feito com autorização judicial e, geralmente, quando há indícios de crime. Em casos iniciais, sem essa suspeita, esse tipo de acesso não é permitido, o que também limita a investigação.
Ainda de acordo com o coordenador, Santa Catarina apresenta bons índices de localização justamente por contar com um programa específico da Polícia Militar voltado a esses casos.
Para informar desaparecimentos, solicitar informações ou repassar dados sobre pessoas desaparecidas, os contatos disponíveis são: (48) 3665-4715, (48) 99156-8264, (48) 98843-3152, além do telefone de emergência 190.

