Os moradores dos bairros da Barra e São Judas Tadeu estão convidados para o Encontrão da Cultura-Regional no galpão da Casa Linhares nesta quarta-feira, às 19h. O objetivo é debater o novo Plano Municipal de Cultura (PMC) de Balneário Camboriú.
O diretor-presidente da Fundação Cultural, Allan Schroeder, destaca que os encontros territoriais serão focados na escuta da população e o objetivo é engajar os moradores na construção do plano.
“A gente fez contato com as associações de moradores, mandou o convite para as entidades que são desses territórios. Ali a gente tem a Colônia de Pescadores, tem a paróquia Nossa Senhora Aparecida, são exemplos de instituições importantes que estão diretamente vinculadas à cultura e que podem trazer suas demandas. É um trabalho de engajamento, a gente tem todo o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) envolvido”, relata.
Outros cinco encontros com as comunidades dos bairros estão previstos até maio. Segundo o diretor da Fundação Cultural, as reuniões têm entre uma e duas horas de duração.
Ações para os próximos dez anos
O novo Plano Municipal de Cultura vai regular e nortear a execução da política municipal de cultura e prevê ações de curto, médio e longo prazo. O documento tem duração de dez anos – o último plano foi elaborado em 2015 e terminou em 2025.
Agora, as atualizações consideram a realidade atual de Balneário Camboriú e as mudanças culturais e tecnológicas que ocorreram na última década. “Balneário Camboriú mudou muito nos últimos dez anos. Hoje tem eixos que a gente vai debater, por exemplo, voltado à inteligência artificial, às mídias sociais, à questão de mudanças climáticas. A cultura tem um diálogo com vários setores da sociedade e não é diferente também aqui”, detalha Schroeder.
Questões econômicas também estão sendo consideradas. “Um exemplo que a gente trabalha muito forte é a questão da economia criativa, a dimensão econômica da cultura, que gera emprego, gera renda, uma nova matriz econômica de baixo impacto ambiental. São algumas temáticas que a gente aponta, não só da cultura, mas da cidade como um todo”, afirma o diretor da Fundação Cultural.
Schroeder relata que uma característica muito forte na cultura de Balneário Camboriú é a preservação de suas raízes. Na última década, diversas leis instituíram patrimônios culturais materiais e imateriais no município.
“A gente tem 14 ou 15 legislações municipais de patrimônios culturais materiais, por exemplo a nossa igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso, na Barra, a nossa Capela da Paz na rua 2300. Mais recentemente a gente teve vários patrimônios culturais imateriais – o boi de mamão, a pesca artesanal da tainha, a pesca artesanal do camarão e outras tantas legislações que demonstram que Balneário Camboriú está começando a se preocupar, e isso é muito positivo, com a memória, com a história da cidade, com as suas raízes. Agora para o futuro, com certeza isso vai ganhar cada vez mais preocupação da nossa comunidade”, relata Schroeder.
Consulta pública e aplicação de recursos
Além dos encontrões, metas, ações ou melhorias ao novo Plano Municipal de Cultura também podem ser sugeridas por meio de um formulário online, disponível no link (clique aqui), junto com a minuta do projeto de lei que está sendo elaborada.
O diretor da Fundação Cultural ressalta que o planejamento é necessário para ter acesso às verbas federais destinadas às políticas culturais, como a Lei Aldir Blanc, por exemplo.
“Até 2027, a Aldir Blanc prevê algo em torno de um pouco mais de R$ 1 milhão em Balneário Camboriú. A gente já teve o primeiro ciclo concluído, que permitiu além de a gente realizar festivais, reformar o galpão da Casa Linhares. Para tudo isso, para a gente poder ter acesso, precisa estar em dia com as obrigações municipais e é ter o Conselho Municipal de Política Cultural atuante, transparente, participativo. A gente ter o Plano Municipal de Cultura aprovado.’
Veja as datas e locais dos próximos encontros:
- Nova Esperança (24/03), às 19h – Udesc
- Vila Real, Iate Clube e Municípios (31/03), às 19h – Univali
- Centro e Estados (14/04), às 19h – Sesc (pode haver alteração de data)
- Nações, Ariribá e Praia dos Amores (28/04), às 19h – CTC
- Praias Agrestes (12/05), às 19h – Centro Comunitário Estaleiro
Próximos passos
Após os seis encontros territoriais, um “Superencontrão” será feito. Segundo Schroeder, será o momento de prestar um retorno de todo o processo para as pessoas que participaram da elaboração do PMC.
Entre junho e julho, o novo plano será submetido ao Conselho Municipal de Política Cultural para aprovação, depois enviado à prefeita Juliana Pavan e, posteriormente, à Câmara de Vereadores.
“Virando lei municipal, o Plano Municipal de Cultura permite, além de ser um guia para nortear os gestores públicos e todos os atuantes nos próximos dez anos, também é um documento para ser fiscalizado e cobrado do Poder Público que aquelas ações ali dispostas saiam do papel”, relata o diretor da Fundação.
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Reuniões do Conselho Cultural
Além dos encontros para a elaboração do PMC, Schroeder lembra que o Conselho Municipal de Política Cultural se reúne na Casa dos Conselhos toda primeira terça-feira do mês.
“São reuniões públicas e abertas, inclusive não é só os conselheiros que participam, às vezes a gente tem alguns artistas que vão lá, têm direito a fazer uso da fala, a fazer seu questionamento, a tirar sua dúvida. E as câmaras setoriais, paralelamente, fazem as suas reuniões mensais também.”
Nestes encontros, as demandas são apresentadas ao Poder Público. Alterações no regimento interno do Teatro Bruno Nitz para a realização de atividades, a reativação de algumas câmaras setoriais, reajustes no edital de serviços artísticos, entre outras questões já foram solucionadas após terem surgido nas câmaras setoriais.
“Quando eles (artistas e comunidade) veem o resultado das coisas sendo atendidas, começam a acreditar mais no processo participativo. É ouvir, dialogar e construir saídas juntos”, conclui o diretor da Fundação Cultural.

