Os tenistas estrangeiros que se envolveram em casos de racismo durante o Itajaí Open, em Itajaí, foram denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A denúncia foi apresentada pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua no combate ao racismo em âmbito estadual.
Os episódios ocorreram no dia 22 de janeiro, durante a partida da primeira chave de duplas do torneio ATP Challenger 75 – Itajaí Open de 2026. Segundo a denúncia, o tenista venezuelano teria feito gestos imitando um macaco, coçando as axilas em direção ao público presente. De acordo com o MPSC, a atitude, registrada por espectadores, configura incitação ao preconceito racial, conforme previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/89.
No mesmo dia, o atleta colombiano teria direcionado uma injúria racial a um funcionário do clube, ao proferir as seguintes palavras: “macaquito de merda”. Conforme a 40ª Promotoria de Justiça, a ofensa atinge diretamente a dignidade da vítima em razão de sua raça e cor, enquadrando-se no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/89.
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Além da condenação pelos crimes imputados aos acusados, para o atleta colombiano, acusado de injúria racial, o Ministério Público solicitou o pagamento mínimo de R$ 5 mil à vítima. Já para o tenista venezuelano, acusado de incitação ao preconceito, a indenização pedida é de R$ 15 mil.
Segundo a instituição, os valores serão destinados ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), que subsidia projetos de interesse da sociedade, como ações de promoção da igualdade étnico-racial.
Após serem presos e passarem por audiência de custódia, os tenistas foram soltos. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair da comarca por mais de sete dias sem autorização judicial, o recolhimento em período noturno e a proibição de deixar o Brasil. Os passaportes dos atletas foram apreendidos.
A denúncia do MPSC foi ajuizada na quinta-feira, 5, e ainda não foi recebida pelo Poder Judiciário. Com o recebimento, os acusados passarão a ser considerados réus em ação penal.

