Dados internos do histórico administrativo e de atendimentos do setor de Qualidade do Hospital Ruth Cardoso foram deletados do sistema. A suspeita é que a ação tenha sido feita de forma proposital, como forma de boicote durante o processo de transição administrativa para a Organização Social Civil (OSC) Viva Rio, que assumiu a gestão da unidade hospitalar nesta segunda-feira, 8.
A informação foi confirmada pela secretária de Saúde, Aline Leal, em entrevista à Rádio Menina, ainda na sexta-feira, 5. Segundo ela, o setor afetado guarda informações para o acompanhamento da gestão da unidade, incluindo indicadores de internação, protocolos assistenciais, dados da UTI e registros de pacientes.
“São dados do histórico do nosso hospital, dados de toda a parte de gestão”, enfatizou.
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TI investiga origem e polícia é acionada
De acordo com a secretária, as equipes de Tecnologia da Informação (TI) do hospital e da Viva Rio já iniciaram a análise dos acessos ao sistema para identificar o autor da exclusão. Cinco pessoas trabalham no setor responsável pelos dados.
A investigação inclui a rastreabilidade de IPs e registros internos. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Civil também acompanha o caso.
Fragilidades do sistema
Aline Leal reconheceu que o problema expôs vulnerabilidades tecnológicas já conhecidas. O sistema utilizado (desenvolvido por um servidor), só permitia acesso interno e não seguia parâmetros atuais da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Uma migração tecnológica estava em andamento, mas foi interrompida durante o período de transição para a nova gestão. As equipes do setor de TI estão atuando na tentativa de que os dados sejam recuperados, mas ainda não há confirmação da extensão total do prejuízo.

