Balneário Camboriú registra uma redução de quase 99,8% nos casos de dengue em comparação com 2024. De janeiro a setembro deste ano, foram confirmados 12 casos da doença. Em 2025, foram 724 registros. Em 2024, ano marcado por uma epidemia, a cidade havia chegado a 7106 casos.
Além da redução nos registros, outro dado chama a atenção: não houve mortes por dengue na cidade em 2025 e 2026. Para o diretor da Vigilância Ambiental, David Cruz, o resultado é consequência de um conjunto de ações adotadas pelo município, que incluem investimentos na estrutura do departamento, capacitação dos agentes e novas estratégias de combate ao mosquito Aedes aegypti.
“Quando assumimos em 2025, a gente pegou o departamento em uma fase bem crítica, principalmente na questão estrutural ali. Foi feito um investimento bem importante no Departamento de Vigilância Ambiental, onde a gente adquiriu esses veículos, as motos, caminhonetes. Hoje a gente tem a maior frota da história do departamento, para que a equipe possa se deslocar para atender em tempo hábil as notificações que chegam, as demandas”, explica Cruz.
Entre as estratégias adotadas está também o método Wolbachia, que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores de uma bactéria capaz de reduzir a transmissão do vírus da dengue. Em Balneário Camboriú, as liberações começaram em agosto de 2025 e foram realizadas durante seis meses, em quatro bairros.
A primeira etapa foi concluída neste ano e, segundo Cruz, o município já trabalha para tentar ampliar o método para outras regiões da cidade.
Cuidados durante o período DE CHUVAS
Apesar dos números positivos, o trabalho de prevenção não diminui. Com a chegada da primavera, o aumento das temperaturas e a previsão de períodos de chuva, a Vigilância Ambiental já prepara ações específicas para os próximos meses, principalmente para o verão.
“O El Niño é muito preocupante. Tanto a fase do El Niño quanto o pós. Com essa chuva, calor, existe um estudo de que realmente as doenças pelas arboviroses tendem a aumentar bastante. Principalmente em meados de novembro, dezembro e o verão que está chegando. Nós temos intensificado bastante as nossas ações em campo.”
Vistorias e ampliação de agentes
Entre as medidas previstas estão o reforço das vistorias em obras e imóveis que podem apresentar focos do mosquito, além da utilização de novos equipamentos para ampliar as aplicações de inseticida dentro dos imóveis, quando houver necessidade.
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O município também avalia ampliar a equipe de agentes de combate às endemias para reforçar o trabalho durante o verão. A intenção é manter a identificação e o bloqueio de possíveis focos de transmissão.
Mesmo com a queda expressiva dos casos, a participação dos moradores continua sendo considerada fundamental. A orientação é reservar alguns minutos por semana para verificar possíveis pontos de acúmulo de água dentro de casa, em quintais, vasos de plantas, calhas e outros locais que possam servir de criadouro para o mosquito.
O diretor da Vigilância Ambiental também reforça que os moradores devem permitir a entrada dos agentes durante as visitas.
“Por mais que a população possa achar que é um assunto relativamente simples, existem situações bem atípicas que apenas um olhar clínico de um agente consegue identificar, às vezes, um risco que passa despercebido. Se a gente trabalhar junto, a gente consegue cada vez mais diminuir esses índices da doença.”
Vacinação contra a dengue
Além das ações realizadas pelas equipes de saúde, a cidade também conta com a vacinação contra a dengue. Até o momento, mais de 3 mil crianças e adolescentes de dez a 16 anos receberam a primeira dose, e mais de 1300 já completaram o esquema vacinal com duas doses.
Para a Vigilância Ambiental, manter os cuidados durante todo o ano é essencial para evitar que os números voltem a aumentar. “Se a população tirar dez minutos por semana para olhar nas imediações de seus imóveis, vai estar ajudando de uma forma bem positiva do combate a dengue”, conclui Cruz.