Balneário Camboriú inaugurou nesta quinta-feira, 17, uma nova Estação Preliminar de Esgoto, que deve elevar a eficiência do tratamento dos atuais 84% a 85% para mais de 90%. A estrutura fica na Estação de Tratamento de Esgoto, no bairro Nova Esperança, e recebeu um investimento de mais de R$ 41 milhões em recursos próprios da Emasa (Empresa Municipal de Água e Saneamento).
A nova unidade tem capacidade hidráulica de cerca de 1.900 litros por segundo e reúne equipamentos de empresas especializadas de diferentes países. Segundo o diretor-presidente da Emasa, Auri Pavoni, a estrutura é considerada uma das mais modernas do Sul do Brasil.
“Vamos trazer mais saúde em primeiro lugar, melhora nos nossos cursos d’água e melhora na balneabilidade. O que tem de tecnologia disponível no mundo nós temos aqui no nosso preliminar. Do sul do Brasil é o mais moderno”, destaca.
A estação preliminar é responsável pela primeira etapa do tratamento, retirando materiais sólidos e outros resíduos que chegam pela rede de esgoto antes que o efluente siga para as demais fases do processo.
A expectativa da Emasa é que, com a nova estrutura em funcionamento, a eficiência passe dos 90% já durante a próxima temporada de verão. Mas esse não é o ponto final do projeto.
De acordo com o presidente da autarquia, uma nova Estação de Tratamento de Esgoto deve ser lançada ainda neste ano. “Agora nós estamos em 84%, 85%. Com esse equipamento nós vamos passar dos 90%, inclusive na temporada, mas com a nova estação nós vamos chegar em 98% a 99%”, relata Pavoni.
A modernização também ocorre em um momento em que a balneabilidade é um dos principais assuntos para Balneário Camboriú com a aproximação do verão.
TRATAMENTO DE 1.900 LITROS POR SEGUNDO
Além da capacidade para atender a demanda atual, a nova estrutura foi dimensionada para suportar volumes muito maiores. A capacidade chega a aproximadamente 1.900 litros por segundo, o equivalente, segundo Pavoni, ao atendimento de uma população de até 1 milhão e 200 mil pessoas.
Segundo a prefeitura, Balneário Camboriú possui uma população fixa de cerca de 150 mil moradores, mas pode chegar a mais de 1 milhão de pessoas durante a temporada de verão, o que reforça a importância de um tratamento eficiente. A previsão da Emasa é que a estrutura tenha capacidade suficiente para as próximas décadas.
A prefeita Juliana Pavan lembra que, em um passado recente, o município recebeu multas ambientais milionárias por despejo de esgoto irregular. Ela destaca que o tratamento adequado de efluentes representa saúde, qualidade de vida e respeito à população.
“Uma virada de página para a nossa cidade. Todo esgoto da cidade chega e ele precisa ter um tratamento adequado, isso é mais qualidade de vida, respeito à saúde pública, respeito à nossa cidade”, afirma.
Com a futura nova estação de tratamento, a expectativa da Emasa também é ampliar a possibilidade de reúso da água resultante do processo.
ENTRADA DE ÁGUA DA CHUVA NA REDE DE ESGOTO
A estrutura deve aumentar a capacidade de tratamento, mas a Emasa reconhece que a qualidade da água também depende de um problema que está fora da estação: a entrada de água da chuva na rede de esgoto.
Segundo o presidente da autarquia, a cidade deveria receber diariamente entre 27 e 28 milhões de litros de esgoto. Em períodos de chuva, porém, esse volume pode ultrapassar os 100 milhões de litros.
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Isso acontece porque há ligações ou interferências que fazem a água do sistema pluvial chegar à rede de esgoto, aumentando muito o volume que precisa ser tratado.
“Cada pessoa produz em torno de 140 litros de esgoto por dia, era para nós estarmos recebendo 28 milhões de litros por dia. Quando chove nós chegamos a receber mais de 100 milhões de litros, fora o que se perde na cidade. Então olha só a gravidade do problema. Estamos investindo aqui, é consequência, mas nós também estamos atacando a causa”, afirmou o diretor da Emasa.