Violência no trabalho é relatada por três em cada quatro profissionais de Enfermagem em Santa Catarina

Em 19/08/2026
por Daiane Valentin

Três em cada quatro profissionais de Enfermagem de Santa Catarina já sofreram algum tipo de violência no trabalho. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC) com mais de 2,2 mil profissionais entre os dias 3 e 12 de agosto.

De acordo com o levantamento, 74,8% dos participantes disseram já ter sido vítimas de violência durante o exercício da profissão. Além disso, 57,8% afirmaram não se sentir seguros no ambiente de trabalho.

A pesquisa foi realizada de forma anônima e buscou levantar dados sobre situações de violência enfrentadas pelos profissionais de Enfermagem no estado.

Violência psicológica e moral é a mais relatada

Entre os profissionais que disseram já ter sofrido violência, 96,6% relataram casos de violência moral ou psicológica. A violência física foi mencionada por 18,6% e a violência sexual, por 7,3%.

Os participantes poderiam apontar mais de um tipo de violência. Também foram relatadas situações envolvendo racismo, injúria racial e xenofobia.

O levantamento mostra ainda que os casos não costumam ser isolados. Entre os profissionais que já sofreram violência, 73,5% disseram ter passado por mais de um episódio, enquanto 15,9% afirmaram sofrer situações de violência de forma periódica. Apenas 10,6% relataram um único caso.

Segundo o Coren-SC, situações de violência psicológica e moral podem não deixar marcas físicas, mas afetam a saúde e o ambiente de trabalho dos profissionais.

Maioria não registra ocorrência

Outro dado que chama atenção é a quantidade de profissionais que não formalizam os casos. Segundo a pesquisa, apenas 36,7% dos que sofreram algum tipo de violência fizeram um registro formal da situação.

A falta de registros dificulta a identificação da dimensão do problema e a criação de medidas para prevenir novos casos.

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O Coren-SC orienta que profissionais que forem vítimas de violência registrem um boletim de ocorrência e procurem os canais disponíveis nas instituições onde trabalham. O conselho também recebe denúncias e relatos por meio de seus canais de atendimento e da Ouvidoria.

Situações de maior tensão

O Conselho aponta que fatores como equipes reduzidas, falta de insumos, estruturas inadequadas e sobrecarga de trabalho podem contribuir para o aumento da tensão nos serviços de saúde.

A situação é considerada especialmente preocupante em locais como emergências, emergências pediátricas, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde profissionais lidam diariamente com situações de maior pressão envolvendo pacientes e familiares.

O Coren-SC também acompanha o Projeto de Lei 2672/2025, que prevê aumento de penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação.

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