“Essa parada de estupro veio muitas vezes à tona”: áudios revelam conteúdo de conversas entre estudantes da Udesc

Em 14/08/2026
por Camili Guckert

“Tudo se resumia em falar de vocês, do corpo de vocês, de estupro, de quem eles comeriam de vocês, quem era mais bonita, falaram que até de gurias que namoram”. Esse é um dos trechos que constam no áudio de uma jovem que teve acesso ao grupo de WhatsApp de estudantes envolvidos em uma suposta lista de alunas “mais estupráveis” da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Os áudios chegaram até a Rádio Menina por meio de uma fonte que será mantida em anonimato e expõem a gravidade de conversas mantidas em um grupo de WhatsApp composto por estudantes do curso de Engenharia de Petróleo.

A jovem que relata o conteúdo por meio do áudio não era nenhuma das estudantes citadas no grupo. No entanto, ela tomou conhecimento das conversas e alertou algumas das alunas envolvidas. 

“E o que eles falam nesse grupo, é que eles fazem listas de quem é a mais gostosa de vocês, tipo, coisas muito feias mesmo assim, tipo, tinha um cara que falou assim: top 4 que era dentro”.

De acordo com o relato dos áudios, as falas de dois estudantes são consideradas as piores. “(Os dois alunos) Falaram que se se trancassem numa sala com essa (aluna) era estupro, e essa parada de estupro veio muitas vezes à tona, tá?”.

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Nas conversas do grupo, havia imagens de algumas alunas com montagens de Inteligência Artificial, utilizando roupas sensuais e com comentários do tipo “nossa, comeria muito, estuprava, alguma coisa assim, sabe? Coisas feias”. Além de mensagens homofóbicas.

“Amiga, eu não sei nem o que eu posso mais dizer, mas confiem em mim, é o tempo inteiro falando de vocês, tipo, só de mulher, e é detonando mulher, falando de estupro”, diz a jovem no áudio encaminhado.

A jovem que relata o conteúdo através do áudio, não era nenhuma das estudantes citadas no grupo, porém ela tomou o conhecimento e alertou algumas das alunas. 

Udesc investiga conversas misóginas

O diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi) da Udesc, Oséias Pessoa Alves, informou na quinta-feira, 13, que a denúncia que chegou à universidade não se trata de uma lista de alunas “estupráveis”, mas de conversas com conteúdo misógino, sexista, homofóbico e racista. As informações seriam de apenas dois alunos, e não de seis.

Segundo ele, todas as medidas administrativas foram tomadas em relação às bolsas dos dois alunos, assim como foi instaurada uma sindicância investigativa para esclarecer a “autenticidade dos registros, o contexto das conversas, a autoria das manifestações e as eventuais responsabilidades”.

No momento, a Udesc informa que existem conversas de conteúdo grave que estão sendo investigadas, mas que essa apuração ainda não foi concluída.

Conforme o diretor-geral, não há, no material coletado até o momento, “qualquer elemento que demonstre a existência de uma suposta ‘lista de estupráveis’. Não podemos minimizar o conteúdo das conversas, mas também não podemos atribuir aos fatos uma dimensão que ainda não foi comprovada pela investigação”, enfatizou.

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