“Me socorre que estou morrendo”: colega de trabalho relata como ajudou mulher esfaqueada pelo ex em Penha

Em 13/08/2026
por Daiane Valentin

Uma mulher de 28 anos escapou com vida após sofrer uma tentativa de feminicídio cometida pelo ex-marido em Penha. O agressor desferiu diversos golpes de faca contra a ex-esposa no restaurante em que ela trabalha nesta quarta-feira, 12. O pior não aconteceu graças à coragem de pessoas que estavam no local e ajudaram a vítima.

Uma delas foi Márcia da Silva, auxiliar de cozinha e colega de trabalho da vítima. Ela mora em Balneário Piçarras e diariamente se desloca até Penha para trabalhar. Ao ver a colega de trabalho sendo atacada pelo ex-marido, ela correu para impedir que a mulher fosse assassinada.

A vítima estava limpando o chão, por volta das 7h45, quando viu o ex, de 40 anos, invadindo o local. Ela correu e o homem escorregou no chão molhado. A movimentação foi gravada por câmeras de monitoramento.

Márcia e Edi, colegas de trabalho da vítima, estavam na cozinha e correram para pedir ajuda. “Eu olhei, ouvi ela gritando e saindo correndo. Aí eu olhei para ele e falei: ‘Edi, corre que ele está com faca’”, relatou Márcia.

A vítima se trancou no banheiro do restaurante, enquanto Márcia pegou o celular para chamar a polícia. “Foi a hora que eu vi que ele conseguiu estourar a porta e ela gritou: ‘me socorre que eu estou morrendo’. Eu larguei o celular e saí correndo”.

Neste momento, a ex-esposa já estava sendo esfaqueada pelo agressor e vivendo momentos de terror. Os golpes atingiram seu peito e costas.

Mulher deteve o agressor

Desesperada pensando que a colega poderia morrer, Márcia conta que fez uma rápida oração. “Deus, me mostre o que eu devo fazer”. Em um ato de coragem, a mulher começou a empurrar a porta do banheiro com o ombro.

“Eu empurrava, ele empurrava para trás. Eu acho que isso ajudou com que ele não desse mais facada nela, porque o banheiro lá é bem pequeno, ele ia dar pancada nela com a faca e eu empurrava a porta. Ele ia de encontro com a parede”, contou Márcia.

Em um momento, a porta se abriu e quando o agressor levantou a mão para o alto se preparando para dar mais um golpe na vítima, Márcia segurou sua mão no alto e começou a puxá-lo para trás.

O homem jogou seu corpo contra ela, mas a mulher usou toda sua força para afastá-lo da vítima. Quando o braço do agressor estava fora do banheiro, Márcia gritou para a colega Edi, que tomou a faca da mão dele.

Três homens adentraram o local, como é possível ver nas imagens registradas pela câmera, e detiveram o ex-marido da vítima. Segundo informações iniciais, um deles seria morador de rua. Um dos homens segurou o agressor pelo colarinho até a chegada da polícia.

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Márcia relata que o agressor ficou com a blusa presa na porta e foi necessário cortar com uma faca para que ele fosse retirado do local. Do momento em que o autor das facadas entrou correndo no restaurante até ser detido, se passaram menos de cinco minutos.

A ação rápida dos populares impediu que uma tragédia acontecesse e mais uma mulher fosse vítima de feminicídio.

Vítima foi socorrida em estado grave

Informações apuradas posteriormente pelo apresentador Adilson de Souza, a vítima trabalhava na área de limpeza do restaurante.

A porta da frente do restaurante estava fechada, mas o ex-marido conseguiu entrar por uma porta lateral, que estava aberta para receber mercadorias pela manhã. As trabalhadoras estavam preparando o local para começar a funcionar e servir o almoço mais tarde.

“Eu consegui salvar a menina, porque ela estava já sangrando, já estava perdendo sentido. Na hora que eu puxei ela, só vi o corte nas costas, porque estava uma poça de sangue”, detalhou Márcia.

A auxiliar de cozinha relatou que já trabalhou anteriormente em um hospital e usou seu conhecimento para ajudar a acalmar a vítima até a chegada do socorro. “Ela falou que ia morrer. Eu falei: ‘você não vai morrer, Deus está contigo. Se fosse para você morrer, você já tinha morrido lá dentro’. Eu fui conversando.”

A vítima foi socorrida pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada ao Pronto Atendimento de Penha, mas devido à gravidade dos ferimentos foi transferida para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. A mulher teve o pulmão perfurado pelos golpes.

Vítima havia registrado B.O.

De acordo com as informações de Adilson de Souza, o autor das facadas confessou para o delegado que tinha a intenção de matar a ex-esposa. Ele tirou a mulher da casa dos pais quando ela tinha 14 anos e durante o relacionamento ela nunca havia prestado queixa contra o homem.

Conforme o delegado, há poucos dias a vítima havia registrado um boletim de ocorrência (B.O.), porque queria recuperar alguns de seus pertences na casa onde o casal morava e o ex-marido não havia permitido. Com o registro do boletim, o ex-marido ameaçou matá-la. No entanto, segundo a polícia, a mulher não havia solicitado medida protetiva.

A colega Márcia também relatou à reportagem que a vítima estava apresentando um comportamento diferente do habitual quando chegou para trabalhar pela manhã no dia do crime. Ela estaria olhando frequentemente para o celular.

Até o fechamento desta matéria, não havia novas informações sobre o estado de saúde da vítima.

Município solicitou medidas de proteção

Com a repercussão do caso, a prefeitura de Penha emitiu uma nota oficial informando que a Secretaria Municipal de Assistência Social está acompanhando a situação e levantou informações junto à rede de proteção.

Até então, a mulher não era acompanhada pela rede municipal, mas a equipe solicitou ao Poder Judiciário a adoção de medidas de proteção.

“Após receber alta médica, a vítima será acolhida e acompanhada pela rede municipal, com o objetivo de garantir sua segurança e oferecer o suporte necessário. A Prefeitura de Penha reforça que a violência contra a mulher é uma grave violação de direitos (…). O prefeito de Penha, Luiz Américo, manifesta solidariedade à vítima”, afirmou o município na nota.

A prefeitura detalhou ainda que a rede municipal atua no fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres e enfrentamento à violência.

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados à Polícia Militar pelo 190 ou pelo canal de denúncias 180.

*Texto escrito por Daiane Valentin com informações de Adilson de Souza.

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