O homem flagrado jogando lixo em uma área de mangue às margens da Avenida Normando Tedesco, na Barra Sul de Balneário Camboriú, foi identificado pela Prefeitura e abordado por uma equipe de assistência social. O caso, registrado em vídeo e divulgado pela Rádio Menina na quarta-feira, 5, gerou repercussão nas redes sociais.
Em entrevista ao Canal 100 na sexta-feira, 7, o secretário de Assistência Social, Mulher e Família, Dão Koeddermann, relatou que a equipe esteve com o homem e conversou sobre o descarte irregular. Ele trabalha com reciclagem, mas, diferente do que chegou a ser sugerido nas redes sociais, não é uma pessoa em situação de rua.
“Nós fomos junto com o assistente social, inclusive, onde a gente conversou com ele”, relatou o secretário.
De acordo com a explicação dada à equipe, o homem havia separado materiais recicláveis e não tinha condições de levar tudo naquele momento. A intenção, segundo relatado ao secretário, era deixar parte do material em um local onde não fosse recolhido por outras pessoas e voltar para buscá-lo posteriormente.
“Ele queria deixar em um lugar que ninguém fosse pegar, que no outro dia ele iria buscar”, explicou. O secretário afirmou ainda que o homem contou que havia ingerido bebida alcoólica antes do descarte.
Catador não é morador de rua
A identificação do homem também ajudou a esclarecer uma confusão gerada após a divulgação das imagens. Como ele estava realizando a coleta de materiais e utilizava uma bicicleta com sacos para armazenamento, a situação foi associada por algumas pessoas à população em situação de rua.
Segundo o secretário, entretanto, ele é conhecido pelos serviços municipais, já foi cadastrado e não vive nas ruas. “A gente sabe porque conhece, cadastrou, a gente foi atrás dele”, afirmou.
A diferenciação é importante porque o município vem trabalhando com ações específicas para pessoas em situação de rua, enquanto a situação dos catadores de recicláveis envolve outra frente de atuação.
Prefeitura prepara mudanças para catadores
Além da orientação feita ao homem, o episódio acabou colocando em discussão a forma como os catadores atuam na cidade.
Segundo o secretário, a Prefeitura pretende retomar, junto à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Inclusão Social e à associação dos catadores de recicláveis, um trabalho de organização da atividade.
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A proposta envolve identificar os profissionais, rever rotas e horários e reorganizar o uso dos carrinhos utilizados na coleta. “Vamos começar a atuar forte com eles, fazendo a identificação, novas rotas, carrinhos, a gente vai trabalhar em cima disso também”, afirmou.
A primeira reunião para discutir essas mudanças está prevista para a próxima semana, segundo o secretário.
Descarte no mangue pode gerar multa
Na matéria publicada anteriormente pelo Portal Menina, o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Nelson Oliveira, explicou que o descarte de resíduos em área de mangue configura crime ambiental, com multa prevista em lei de R$ 5 mil para pessoa física.
Na ocasião, as imagens foram encaminhadas à Secretaria de Segurança Pública, que informou que uma equipe do Departamento de Contenção de Ocupações Irregulares e Degradação Ambiental (DCOI) iria ao local para verificar a situação.
Agora, com a identificação do homem, a Prefeitura afirma que pretende também trabalhar na orientação e organização dos catadores.
O secretário de Assistência Social ressaltou que o trabalho de coleta de recicláveis tem importância para a cidade, mas que os materiais que não serão aproveitados não podem ser descartados irregularmente. “O trabalho do catador de recicláveis é um trabalho digno, é um trabalho importante também”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo é justamente criar alternativas para que os trabalhadores tenham condições de transportar e destinar corretamente os materiais que recolhem. A Prefeitura deve discutir as novas medidas com os catadores e os demais setores envolvidos a partir da próxima semana.