Cinco famílias estão prontas para acolher crianças e adolescentes em Itajaí; veja como funciona

Em 24/07/2026
por Daiane Valentin

Cinco famílias de Itajaí estão prontas para receber em suas casas crianças e adolescentes por meio do Serviço Família Acolhedora. O programa foi instituído no mês de abril pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, em parceria com a ONG Laços Encontrados.

Ao longo dos últimos meses, as famílias passaram por seleção, entrevistas, visitas domiciliares, análise documental e um curso de capacitação. Agora, os primeiros acolhimentos devem começar assim que houver autorização judicial. 

A expectativa é que entre cinco e dez crianças sejam encaminhadas diretamente às famílias, evitando a institucionalização, conforme relata Carla Giugno, psicóloga e coordenadora técnica do Programa Família Acolhedora.

“Nós temos cinco famílias aptas para receberem crianças. Tem algumas famílias que estão credenciadas para receber duas crianças, uma. A prioridade vai ser essas crianças que vão chegar, sem precisar passar pela instituição”.

Acolhimento é temporário

O acolhimento é temporário. Pela legislação, o período máximo é de 18 meses, enquanto a equipe técnica trabalha para que a criança ou adolescente possa retornar à família de origem, sempre que isso for possível. Durante esse tempo, tanto a família acolhedora quanto a criança recebem acompanhamento permanente.

“As famílias têm acesso o tempo inteiro à equipe técnica. Também existe um acompanhamento semanal que é feito com a criança, presencialmente. Pelo menos uma vez por semana a equipe técnica vai ter acesso à criança, à família acolhedora. E a equipe também, separadamente, tem acesso à família de origem para tentar restabelecer aquela família para que ela possa receber de volta o seu filho”.

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Segundo a coordenadora técnica do programa, não existe um perfil único para ser família acolhedora. Há casais, pessoas solteiras, famílias com filhos e também casais que já têm filhos adultos. O principal requisito é estar disposto a oferecer um ambiente familiar seguro e afetivo.

“Para ser família acolhedora, precisa apenas ter o desejo no coração de abrir as portas da sua casa e receber uma criança para participar da rotina. Claro que tem os pré-requisitos, mas não tem limite máximo de idade. Temos um perfil bem variado e da idade de crianças também: de 0 a 2 a adolescentes”, relata Carla.

Acolhimento familiar x institucionalização

A coordenadora explica que o acolhimento familiar oferece benefícios que uma instituição, por melhor estruturada que seja, não consegue proporcionar.

“Os lares de uma instituição de acolhimento, por melhores que eles sejam, é uma instituição. Lá tem um profissional para várias crianças. Quando uma criança vai para uma família acolhedora, ela não tem o impacto negativo de ser institucionalizada. Ficar numa instituição por seis meses, um ano, dois anos, causa danos emocionais e cognitivos para a criança, mesmo que a instituição seja perfeita”, detalha.

Carla também comenta que o vínculo afetivo é marcante para a criança. “O que cura uma criança em situação de vulnerabilidade social e psicológica vai ser o vínculo com aquela família. Essa criança, que muitas vezes vem de um lar desestruturado, vai ser acolhida numa família com rotina saudável, hábito saudável e vai se vincular afetivamente a essas pessoas e essas pessoas vão se vincular afetivamente a essa criança”.

Segundo a coordenadora, o momento em que o acolhimento termina é o maior medo das famílias que demonstram interesse em acolher uma criança. “Essa separação é trabalhada, para que ela deixe uma lembrança muito positiva. O vínculo que se criou durante o período que esteve na família vai ficar para sempre marcado na vida daquela criança”

Como ser uma família acolhedora?

O Serviço Família Acolhedora continua com inscrições abertas para novos participantes. Os interessados podem acessar o site familiaacolhedora.itajai.sc.gov.br ou entrar em contato por WhatsApp pelo número (47) 3348-8775.

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