Fim da escala 6×1? Veja como a proposta pode impactar sua vida

Em 01/05/2026
por Jornalismo Menina

O MeninaCast desta quinta-feira, 30, promoveu um debate sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. O tema, que ganha força no Congresso Nacional às vésperas do Dia do Trabalhador, foi discutido sob diferentes perspectivas, reunindo o economista Daniel da Cunha Corrêa da Silva e o presidente do Sindilojas de Balneário Camboriú e Camboriú, Augusto Munchem.

Durante a abertura, o apresentador Gerson Felippi destacou que propostas em tramitação no Legislativo preveem mudanças na jornada semanal, incluindo a possibilidade de dois dias de descanso e redução da carga horária para até 36 horas semanais de forma gradual.

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O economista Daniel Corrêa afirmou que o tema vai além da economia. “Eu diria que o fim da escala 6×1 pode ser debatido sob um ponto de vista produtivo, econômico, mas também como um debate civilizatório”, disse. Segundo ele, as jornadas atuais têm origem no século XIX, apesar dos avanços tecnológicos que ampliaram a produtividade.

Corrêa também destacou que existem condições técnicas para reduzir a jornada, mas ponderou que a viabilidade depende da estrutura econômica. Ele citou estudos que indicam aumento no custo da hora trabalhada, mas relativizou o impacto no custo total das empresas.

Já Augusto Munchem ressaltou a preocupação do setor empresarial com os efeitos práticos da mudança. “Sem dúvida nenhuma, o lado humano da diminuição da carga de trabalho é importante, mas nós temos que ver os impactos nos custos para as empresas”, afirmou. Segundo ele, há risco de repasse desses custos ao consumidor, com reflexos na inflação.

O dirigente também defendeu que o tema seja tratado com mais profundidade e levando em conta diferenças regionais. “Uma regra nacional pode cometer injustiças. O comércio de uma cidade não é igual ao de outra”, pontuou.

Durante o debate, foram abordados possíveis impactos indiretos, como mudanças no consumo, aumento de contratações e efeitos na produtividade. Corrêa mencionou experiências internacionais em que a redução da jornada não resultou em queda de produtividade. “Na maioria dos casos, a produtividade aumenta e o trabalhador fica mais motivado”, afirmou.

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Munchem, por outro lado, chamou atenção para a renda da população. “Hoje se fala muito em folga, mas pouco em ganho. Será que o trabalhador vai conseguir aproveitar esse tempo livre com o nível de renda atual?”, questionou.

Ao final, os participantes concordaram que o tema exige análise técnica e diálogo entre diferentes setores antes de qualquer mudança definitiva. Enquanto o Congresso avança na discussão, o fim da escala 6×1 segue como um dos principais debates no cenário econômico e social do país em 2026.

O avanço do tema ocorre paralelamente à instalação, na Câmara dos Deputados, da comissão especial que vai analisar as propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o assunto. O colegiado foi oficialmente instalado nesta semana e será responsável por discutir o mérito das propostas, podendo sugerir alterações antes que os textos sigam para votação em plenário.

Atualmente, além das PECs em tramitação na Câmara, o debate sobre o fim da escala 6×1 envolve três iniciativas principais. A primeira, apresentada em 2025 pela deputada Erika Hilton, propõe a redução da jornada para 36 horas semanais, com adoção do modelo 4×3, quatro dias de trabalho e três de descanso, e prazo de 360 dias para entrar em vigor.

A segunda é de autoria do deputado Reginaldo Lopes, que também sugere a jornada de 36 horas semanais, porém com uma transição mais longa para implementação.

Além disso, há um projeto de lei do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e vedando a redução salarial.

Por tratarem do mesmo tema, as propostas no âmbito da Câmara tramitam de forma conjunta, enquanto o projeto do governo segue em paralelo no Legislativo.

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