Um balanço dos três meses de trabalho da nova gestão do Hospital Regional Ruth Cardoso (HRRC) foi apresentado à Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú nesta terça-feira, 10. O secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina, Diogo Demarchi, falou sobre as obras de adequação previstas, sobre o fluxo de atendimentos da unidade e ainda sobre a gestão de pessoas.
Antes da apresentação no Legislativo, Demarchi concedeu entrevista ao Jornal da Menina e deu detalhes sobre os investimentos e planos do Estado para o HRRC. A unidade foi oficialmente estadualizada no dia 8 de dezembro de 2025 e está sendo administrada pela Organização Social Viva Rio, contratada pelo Governo de Santa Catarina.
R$ 62 milhões em 20 meses
Na entrevista, o secretário explicou que o aporte de R$ 62 milhões nos primeiros 20 meses de gestão está assegurado e foi previsto no edital no processo de estadualização. Por isso, os recursos estão formalizados, sem necessidade de outros encaminhamentos administrativos posteriores.
“Não existe dúvida da execução com relação a esses valores. Para além do custeio previsto para o contrato inicial de cinco anos, esse valor, um total previsto de R$ 62 milhões, para que a gente possa fazer com que o hospital tenha uma estrutura cada vez mais adequada, foi essa a determinação do governador Jorginho Mello”, relatou Demarchi.
O valor total previsto para o contrato de cinco anos é de mais de R$ 533 milhões. O aporte inicial de R$ 62 milhões é destinado à reestruturação do HRRC. De acordo com Demarchi, o cronograma para aplicação dos recursos nos primeiros 20 meses foi dividido em quatro fases.
“Os projetos estão andando bem. A entidade, a gente está cobrando bastante para entregar antes dos seis meses, para iniciar logo a obra, a fase das obras nas áreas críticas. Paralelo a isso, a gente está liberando recursos para a entidade para fazer adequações que não precisam de projetos”, detalhou o secretário.
Melhorias estruturais
A primeira e a segunda contemplam os projetos e execução de melhorias estruturais nas chamadas “áreas críticas” do hospital. A primeira etapa tem prazo previsto de seis meses – o contrato já teve três meses de execução. O período inclui o desenvolvimento de projetos arquitetônico, elétrico, hidrossanitário, para gases medicinais e a parte de climatização. Demarchi disse que a intenção é encurtar as etapas.
Terminados os projetos, o hospital avança para a segunda fase. As “áreas críticas” totalizam 2.100 metros quadrados e incluem a central de material esterilizado, o que apresenta complexidade às obras, já que fica localizada junto à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Também fazem parte o centro cirúrgico, centro obstétrico e UTI Neonatal.
Nestes locais, haverá adequações na estrutura física. Estas áreas são consideradas críticas, segundo o secretário, porque podem ter um risco maior de infecção. “Essas áreas são o nosso principal foco para que a gente tenha mais segurança para o paciente”, afirma Demarchi. A execução das obras tem previsão de oito meses.
“No primeiro semestre, a gente inicia essas obras nos pontos mais críticos. Lembrando que é um hospital, ele não pode parar. A gente vai continuar com atendimento com obras em andamento, isso também causa transtorno, mas a gente vai continuar com o hospital aberto, alterando o fluxo interno e dando jeito para continuar atendendo a população”, lembrou o secretário.
Na terceira fase, a unidade receberá adequações gerais, tanto na estrutura física quanto no fluxo de funcionamento. Já a quarta fase será voltada à obtenção do alvará e licenciamento ambiental.
Dados de atendimento
Questionado sobre a demora no atendimento dos pacientes que chegam em situações emergenciais, inclusive no centro obstétrico, o secretário afirmou que o tempo de espera máximo é definido de acordo com a gravidade do caso e que o atendimento está sendo cumprido conforme o contrato.
Demarchi também apresentou os números de atendimentos no Hospital Regional. Em janeiro, a unidade recebeu 7.422 pacientes. Foram 4.500 pessoas na emergência adulta e 1.600 no pronto socorro pediátrico. Já na emergência obstétrica, foram 1.078 pacientes. Foram realizadas ainda 195 cirurgias emergenciais.
O secretário comentou ainda que tanto a Regional de Saúde quanto a Secretaria de Estado acompanham constantemente o fluxo do hospital. Ele afirmou que melhorias podem ser sugeridas à ouvidoria do próprio HRRC.
“A gente vai receber as críticas com muita tranquilidade, serenidade. E fazer o ajuste que for necessário para atender mais e melhor a nossa população. Que é o que merece. Afinal de contas, paga impostos para isso. É o mínimo que a gente tem que fazer. É o retorno adequado para a população”, ressaltou Demarchi.
Ele também relatou que o Estado assumiu o hospital em dezembro, com foco em manter a continuidade do atendimento durante a temporada de verão, quando a demanda aumenta.
Gestão de pessoas
Um dos desafios enfrentados pelo Governo de Santa Catarina neste processo de estadualização envolve a gestão de pessoas. O secretário explicou que há um trabalho para melhorar a comunicação entre o Governo, a Viva Rio e os trabalhadores.
“A gente teve, claro, muitos ruídos, em especial no início da transição, que acontece ainda mais quando eu mudo de um modelo e de outro, porque cabe ressaltar que a gente mudou o modelo de gestão do hospital. A gente está há três meses no modelo que é diferente do anterior, que era administração direta da Prefeitura”, declarou Demarchi.
Ele comentou que houve negociações específicas com algumas categorias profissionais e que também ocorre de alguns trabalhadores decidirem não permanecer atuando no hospital.
Demarchi relatou que o hospital é uma referência na região e integra o fluxo de atendimento com hospitais da região, como o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, e o Hospital Santo Antônio, em Itapema.
O secretário também afirmou que, de forma paralela, há uma discussão em andamento para uma habilitação em alta complexidade do Ruth Cardoso, para fazer atendimentos completos em ortopedia.